“Eu odeio banda cover”. Rodolfo Krieger. Cachorro Grande. Puta entrevista. | Francamente

“Eu odeio banda cover”. Rodolfo Krieger. Cachorro Grande. Puta entrevista.

Blog | 29/10/2014

“Eu odeio banda cover”. Rodolfo Krieger. Cachorro Grande. Puta entrevista. - 1

Talvez por também ser baixista, tenho sempre curiosidade de saber o que outros baixistas têm a dizer. Sendo assim, troquei uma ideia direta com o baixista dessa tão peculiar banda brasileira, a Cachorro Grande, que acabou de gravar material inédito e está lançando disco novo. A entrevista com o Rodolfo Krieger você confere logo abaixo.

Como foi/como surgiu essa ideia de gravar um novo disco em um país africano?

Estava eu e o Edu K tomando champagne na beira da praia e sabíamos que este ano no Brasil seria um porre: eleição, Copa do Mundo, passeatas… Conversamos sobre gravar um disco em outro país, mas achamos que Londres ou Nova York estão muito batidas. Ao olhar para o oceano, decidimos que tínhamos que atravessá-lo e, assim, tivemos uma grande ideia de gravar na África, num país dominado por ritmos e culturas maravilhosas.

E a qualidade lá, os estúdios e tal. Os africanos te surpreenderam em alguns aspectos? (Se sim, quais?)

Sim, eles pegaram muito equipamento da Europa dos anos 70. Tinha gravadores de rolo incríveis! Aqui no Brasil tem muito cara que trabalha em estúdio e que acha que sabe tudo, mas não sabe porra nenhuma. O Jamal, o cara que cuidava do estúdio, foi um dos caras mais incríveis, humildes e inteligentes que eu conheci na minha vida. Ele tinha a maior coleção de discos dos Rolling Stones que eu já vi! Se eu não me engano, ele e o Edu tiveram um affair no último dia de gravação.

Quem é o personagem que estampa a capa do disco Costa do Marfim?

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O nome dele é Rodrigo Pecci. Ele é muito amigo de todos nós, há muito tempo. No dia em que fizemos os testes para ver qual ator ia protagonizar a capa do Costa do Marfim, ele foi selecionado entre 78 inscritos. O que fez contar foi o olhar místico dele, que você pode assistir no final do clipe da música Como Era Bom.

A banda já esta fechando uma agenda para apresentar o novo trabalho pelo Brasil?

Sim, estamos lançando o disco nas capitais do Brasil e pretendemos, em 2015, levar a turnê do Costa do Marfim para o maior número de cidades possível.

Atualmente, você vê alguma outra banda fazendo um trabalho semelhante ao da Cachorro Grande? 

Não. Existem boas bandas por aí no cenário nacional. Vejo algumas bandas influenciadas pelos primeiros discos da Cachorro, mas eu acho, que esse último disco é muito particular. Adoraria que tivesse mais bandas deste gênero musical.

Cara, dia desses vi você postando sobre bandas covers. Que você acha disso? 

Eu odeio banda cover. Não tenho paciência para tamanha palhaçada. Se for copiar alguém, fique em casa, fume seu cigarrinho e tente criar uma canção. Eu saio toda semana para ver shows de bandas autorais. O que faz uma pessoa achar que eu quero ver alguém fantasiado de Angus Young? Bandas, façam suas músicas, gravem-nas e sejam felizes.

Mas tu não acha que é difícil pras bandas arriscarem a mostrar algo próprio hoje em dia?

Não, volta e meia, fico nas redes sociais e vejo um monte de banda por aí. Essa nova geração tem todas as ferramentas na mão. Agora, está muito mais fácil do que era antes. Cada dia que eu ando por aí, encontro uma banda legal.

Legal. Qual setup você usou para gravar os baixos do Costa do Marfim?

Usei um Rickenbacker e um Fender Precision ’68.

Sempre te vejo com um Rickenbacker. É o seu favorito?

Sim, assim que tiver dinheiro, vou comprar outro igual. Para mim, é o melhor baixo que tem.

Vi que você gravou os baixos do disco “Bem Mais Alto Que o Céu”, do Ikke Flesch. Foi massa esse trabalho? Você vai conciliar as duas bandas para tocar também nos shows dele?

Não, o Ikke é meu amigo há muito tempo e gravei o disco dele com meu outro projeto, que se chama Baião de Dois — formado por mim e pelo Duda Machado, baterista da Pitty. Nós somos como se fosse a Motown dos pobres.

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Sobre o autor:

Vinícius Franco é jornalista, produtor e músico do Biblioteca da Memória.
Siga no Instagram: @francamentevini

Siga no Twitter: @francamentevini

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