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Não é só na Inglaterra: No Brasil, integrantes de grandes bandas também trampam das 9h às 17h (ou mais)

Blog | 11/01/2015

No início de dezembro de 2014, uma reportagem publicada pela Noisey (by VICE) surpreendeu muita gente. A matéria em questão falava não só sobre grandes bandas da Inglaterra, mas o que seus integrantes tinham: emprego.

Sim, é surpreendente para muitos saber que um bom nível de reconhecimento, shows com sold-out, discos bem produzidos, com direito a merchandising no peito de fãs e muito mais, não é o suficiente para deixar a condição de empregado de lado. Muitas vezes os músicos ocupam funções normativas, de carteira assinada, compromisso de segunda à sexta, com horário a cumprir, uniforme e tudo.

Ainda sobre a matéria da Noisey: guitarristas, baixistas e (sim, até os) vocalistas de bandas como Palm Reader, Gnarwolves, Bloody Knees, Baby Godzilla, aparecem como exemplos. Um leitor comentou o que provavelmente muitos de vocês devem estar imaginando: “Sucesso o cacete, nunca ouvi falar dessas bandas”. O comentário foi respondido por Edmauro Campos de forma pragmática: “só porque você não as conhece, não significa que não sejam bandas locais de sucesso. Se você falar em Titãs e Paralamas lá na Inglaterra, certamente ninguém saberá quem são”. Afinal, o Edmauro não está certo? Vamos aos exemplos do Brasil.

NA LABUTA, DIARIAMENTE

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Fábio Mozine, proprietário de um selo (Läjä Records), baixista das bandas Mukeka di Rato e Os Pedrero, e também guitarrista e vocalista da mais sensacional banda do país, o Conjunto de Música Jovem Merda - me alertou sobre qual território deveria garimpar fontes: “rapaz, se você ver bem, quase toda banda underground passa por essa situação. Bicho… quase todas”.

Isso me serviu como um norte, e parti em direção às bandas que sim, tem um mar de fãs, merchandising em grandes lojas físicas e virtuais, turnês por praticamente todos os estados do Brasil, videoclipes bem produzidos, discos reproduzidos milhares de vezes nas plataformas de streaming, mas que não aparecem na televisão, e nem tocam no rádio. Estamos falando de underground puro.

É neste cenário que se encontra o Dead Fish, banda com mais de 20 anos de estrada, sempre com Rodrigo Lima à sua frente. Rodrigo é por muitos considerado o “embaixador do hardcore brasileiro”. De fato, o Dead Fish representa um aglomerado de fãs por onde passa, depois de mais de 15 projetos concretizados, entre discos de estúdio, DVD’s, EP’s, demos e split’s. Recentemente, a banda bateu todos os recordes de crowdfunding ao arrecadar mais de R$250 mil para a gravação de seu sétimo disco de estúdio.

É com este vasto currículo que Rodrigo se mantém firme em seu emprego, num escritório de advocacia. “Num momento bastante conturbado da minha vida resolvi que deveria buscar uma coisa que deixei lá atrás, em 1999 quando me formei. Nunca tinha estado num escritório mesmo formado em Direito, queria ter esta experiência de ter uma vida de 8 às 18h”.

Pergunto se sem esse emprego, seria impossível levar a vida de maneira tranquila — pergunta que servirá de base para os próximos entrevistados, e Rodrigo responde o que soa como surpresa: “Não, eu trabalho porque quero, a grana ajuda bastante, é um bom extra eu diria. A ideia era tentar mesmo entender como é a vida de uma pessoa reta, que tem que obedecer horários, ter um chefe chato e metas. Não sei se sou competente para uma vida assim, estou nessa há dois anos e ainda não sei. O que descobri é que posso ser mais disciplinado nas minhas prioridades e que posso usar bem melhor meu tempo”.

O emprego do vocalista só não é de carteira assinada porque segundo o próprio, se assim fosse, já estaria demitido. “Eu falto muitas sextas-feiras para ir pra estrada. (…) Procuro estar sempre cumprindo o que o chefe manda. Puta aprendizado, já que sempre fui dono do meu próprio nariz desde os vinte e poucos quando fundei o selo da banda. Nunca ninguém havia mandado em mim, ou demandado obrigações, é quase que como reaprender a viver, da forma mais ordinária possível, e quase no bom sentido da palavra “ordinária”.

ROCK E CAFÉ, SEM SER INDIE

Há um pressuposto de que, quem gosta de um bom rock tem grande tendência a flertar com café. Clichês a parte, Wagner Reis leva o conceito a sério, de maneira profissional.

Wagner é guitarrista do Garage Fuzz. A banda tem a mesma idade do Dead Fish — ambas fundadas em 1991. De origem santista, no interior de São Paulo, o Garage tem grande influência dentro da cena do hardcore brasileiro, embora não birimbalize seus vocais, cantados pelo artista plástico Alexandre Sesper, o Farofa. Grande destaque no currículo da banda é já ter gravado mais de dez trabalhos, todos conhecidos por incrível qualidade técnica. Ter tocado na primeira edição do Lollapalooza Brasil e já ter dividido palcos com bandas como Fugazi e Sick of it All também fazem parte da história dos santistas.

Mesmo assim, Wagner não se atém somente à banda, e trabalha com comercialização de café, mais precisamente entre empresas, torrefadoras e exportadoras do grão. “Na verdade faço intermediação nos negócios de compra e venda da mercadoria”, explica. O negócio do guitarrista envolve seriedade, pois sua função é operada em cima de bolsas como as de Nova York e de Londres.

Wagner é exemplo de que o ritmo de um emprego pode afetar diretamente o ritmo da banda. “Não fazemos mais vários shows todo mês”, revela, embora já trabalhasse no ramo do coffee antes mesmo de entrar no Garage. Entretanto, um fator pode beneficiar o outro. “Conforme os anos foram passando consegui levar as duas coisas numa boa, então um acaba ajudando o outro”.

Trabalhar em empregos convencionais e levar uma banda é algo que demanda, obviamente, organização e consenso. “Oito meses do ano a gente procura estar fazendo shows, e nos outros quatro a gente cai de cabeça em composições”. Além disso, o lado financeiro para quem leva uma vida dessas vai muito além de cobrar e equilibrar os cachês pela estrada. “Mantenho um escritório próprio há nove anos, e ele me dá 2.300 mil reais de despesa por mês, fora almoço e outros gastos, então já começo o mês devendo cerca de 4 mil. Só com a banda não daria pra levar”.

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OPERANDO E GUITARRANDO

O que um consultório odontológico representa para você? Para Vini Zampieri, esse lugar representa seu espaço de ofício, além dos palcos.

Vinícius é, respectivamente, guitarrista e vocalista das bandas CroonerDee (em hiato) e da Colaterall, e as vezes também excursiona com o Sugar Kane, onde seu irmão Alexandre, o Capilé, é vocalista. Além do mic e da guitarra, o instrumento de trabalho de Zampieri são bisturí, cabos e lâminas. Formado em 1997 em odontologia, atualmente leva a vida se dividindo entre os shows de rock e cirurgias dentárias.

Fiz a pergunta base (se lembra dela?), e Vini responde o imaginável: “a profissão de músico no Brasil, e acho que no mundo em geral, é muito desvalorizada e poucos ganham o suficiente para manter uma família só com essa atividade. Imagine no cenário independente que sempre teve pouca grana rolando. Para mim seria muito difícil viver só de underground”.

Pergunto se este constante desentendimento entre auto-suficiência financeira e rock independente é o motivo de várias bandas desistirem no meio do caminho (ou antes disso). “Acredito que muitas coisas influenciam, como pressão social e da família, mas certamente isso mudaria se o retorno financeiro fosse maior. Até mesmo as produções dos artistas seriam mais fáceis e com qualidade melhor. O que eu vi acontecer foi que muitos ficaram de saco cheio mesmo, nem sempre é o lance de grana. É por fazer com tanto amor a parada e não ser valorizado por isso. O dinheiro é só mais uma consequência disso”.

O dentista faz questão de alertar que o perrengue faz parte do início de qualquer profissão. A diferença é que o artista independente tem sempre a sensação de estar no começo. “Chega uma hora que você coloca isso numa balança, e alguns desistem mesmo”.

O maior problema, no entanto, passa a ser o baixo valor que a sociedade emprega a um artista. “Queria até dizer ‘acredite no teu sonho’, mas o que digo é faça o que gosta por amor sem esperar retorno financeiro. Se rolar, ótimo. Mas não desista de fazer, arranje um jeito de pagar suas contas e vá em frente. A maior recompensa sempre virá do reconhecimento e infelizmente não do dinheiro”.

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HÁ COMO TRABALHAR FORA DA BANDA, MAS DENTRO DA MÚSICA?

Sim, é o que prova Leon, baixista do Hateen. Leon faz parte do time dos músicos que tem que se virar com rendas extras além da banda, para garantir o rango e o teto. Porém, Leon não dedica seu tempo fora dos palcos para algo bem diferente do que faz em cima dele. Com a luthieria, consegue estar sempre envolvido com instrumentos musicais e estúdios.

Responsável por ditar os rumos de milhares de adolescências brasileiras, o Hateen também é craque em fazer ogros marmanjos berrarem suas letras de cabo a rabo nos shows. A banda também integra um exotérico DVD gravado pela MTV em 2005, o MTV Ao Vivo — 5 Bandas de Rock, gravado ao lado de NxZero, Forfun, Moptop e Fresno. Além disso, o sucesso do Procedimento de Emergência (2006) colocou um hit nas rádios do país inteiro (sim, eu já ouvi “1997” nas rádios do interior).

Depois de um hiato, a banda retornou em 2011, lançando o Obrigado Tempestade. Um ciclo de videoclipes focados em histórias de superação alavancaram a banda novamente, desta vez, com Leon tomando conta dos graves.

“Eu sempre gostei de estar envolvido de alguma forma no meio musical, seja trabalhando em eventos, exposições, tocando e fazendo shows. Mas fora essas coisas o que mais prendeu minha atenção foi a luthieria. Faço parte deste mundo há uns 10 anos, bem intensos (…), no meu caso a banda só ajudou a somar no meu orçamento final”, diz.

Com tantas queixas em relação ao que se ganha no mundo do underground, seriam muitos injustos, afinal, os cachês fechados pelas bandas? Leon explica: “Hoje é difícil fechar um show onde contratante e banda fiquem totalmente satisfeitos, cada lado tem seus custos, prejuízos e lucros. Fazemos parte do underground, aonde o orçamento é enxuto. Se for baseado na realidade do Hateen, acho justo [o cachê]. Temos um valor aonde cobrimos nossos custos e lucramos”. A resposta de Leon sinaliza que é complicado, mas é possível ganhar a vida em cima dos palcos. Atividades paralelas, como todos os exemplos mostrados até aqui, são rendas extras cujos músicos optam por não abrir mão.

Sendo assim, seria fácil viver só com a renda do Hateen? — pergunto. “Com toda certeza não! Infelizmente… Seria um sonho isso, mas hoje praticamente todo mundo neste meio tem seus empregos ou investimentos paralelos. A cena atual está bem complicada e fora da realidade”. Pergunto se esta situação já chegou a deixar Leon quase ou totalmente no vermelho. A resposta soa quase como um alívio. “Totalmente no vermelho não, mas já tive bastante medo de ficar. Evitei isso voltando trabalhar formalmente. Hoje vivo de forma indireta da música. O legal desse mundo é a variedade profissões que se pode exercer. É preciso ter disposição, esforço e dedicação. Como tudo que se precisa para se viver bem profissionalmente”, finalizou.

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A HISTÓRIA SE REPETE

Como bem disse Mozine no início do texto, o fato se aplica em praticamente todas as bandas do underground brasileiro. Decido procurar por mais relatos, eis que chego até Márcio Alvarenga, baterista da banda Zumbis do Espaço.

Conhecida por ser precursora do “Horror Rock” no Brasil, a banda tem mais de 17 anos de história. É considerada por muitos uma banda única no país, com performances que misturam metal, country, punk e rockabilly. Por trás de 11 discos lançados, centenas de shows por todo o território nacional e muito reconhecimento e respeito, também estão músicos que trabalham normalmente.

Marcio não chegou a se formar, embora tenha chegado até o quarto ano de Direito. “Percebi que estava jogando muito dinheiro fora”. Contudo, o baterista é funcionário público estadual, e trabalha no Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo. “Infelizmente no Brasil não existe um circuito organizado para shows de rock, é tudo muito amador, o que torna a missão de se viver do rock no Brasil praticamente impossível”, afirma Alvarenga.

Márcio engrossa o caldo na história dos “cachês”, elemento que de fato, impede as bandas de progredirem em questões de produção, turnês e divulgação. “Os donos das casas não valorizam a banda e por outro lado a banda não se valoriza. Para mudar isso seria necessário que existissem pré-contratos de show, produtores com caráter e respeito pela banda e ainda bandas responsáveis divulgando seus shows de forma eficiente pra lotar a casa”.

Pergunto se este empecilho, por outro lado, é o que faz as bandas permanecerem na ativa, fazendo o que fazem, por amor. “Eu acho que respeito se adquire fazendo o que se gosta, sem dar bola para o que os outros falam, e não pelo fato de se ter um emprego fora da banda ou não. Existem centenas de bandas que eu respeito e vivem no mainstream. Existem bandas no underground que fazem musica para vender, que eu não gosto. O Zumbis está na estrada há quase vinte anos, praticamente com a mesma formação, mantendo o mesmo estilo e tocando por todo o Brasil. “Estar na cena” é uma questão de atitude e paixão pelo que se faz, ou você tem ou não, e isso meu amigo, não se compra”.

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ENTÃO… DO UNDERGROUND NÃO SE VIVE? MESMO?

Pode ser que muitas pessoas não conheçam o trabalho do Teco Martins — fruto dele pertencer à cena que produz o que a TV não se interessa em mostrar. O artista possui aclamada história com o Rancore (em hiato), que já teve participação em VMB, Rock Estrada (Multishow), Estúdio Trama (RIP), Estúdio Show Livre e etc. Atualmente toca em dois projetos. O coletivo Sala Espacial, que vem conquistando cada vez mais espaço em casas de shows. E o solo, por onde perambula várias cidades somente com voz & violão.

Procurei Teco para conversar sobre o assunto. Só pergunto se ele se sobressai bem com sua música, ou se precisa de algo além dela para viver. Teco é pragmático: “100% música”. Em uma entrevista cedida ao blog Guitar Talks, o músico fala de forma bem detalhada sobre o assunto. Isso responde a pergunta: Se vive, sim.

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MAS NO MAINSTREAM TAMBÉM TEM DESSAS…

Ah, se tem. É importante frisar que nem todos na música tem outros empregos porque são obrigados, mas porque gostam de se ocupar e querem de fato trabalhar. Se identificar com outras áreas, e se dedicar a elas, pode ser a cereja que falta na vida regada a som alto e acordes sujos de alguns músicos, inclusive do mainstream.

Eu não preciso fazer uma apresentação do CPM 22. Rádios e televisão fazem parte da divulgação da banda. Seu vocalista Badauí, contudo, não se dedica única e exclusivamente aos palcos. A cozinha, agora, também faz parte de seus negócios. Não faz muito tempo que o vocalista decidiu investir em um restaurante, em parceria com o promoter Kichi e outro vocalista, Henrique Fogaça, da banda Oitão. Fogaça ficou nacionalmente conhecido por ser jurados do programa MasterChef.

O Oitão, só para constar, é uma daquelas bandas com muito prestígio na cena do metal gringo. Gary Holt (Slayer), não hesita em assumir que é um fã da banda. Por ora, a banda lançará em breve o disco “Pobre Povo”, e dividirá palcos com o Sepultura durante a turnê de 30 anos da própria.

Tentei contato com ambos os vocalistas, mas não recebi retorno. No entanto, dá para imaginar perfeitamente suas rotinas… Dor de cabeça com fornecedores, planos de marketing, SAC, lidar com clientela (e ter a obrigação de satisfazê-la), além de se equilibrar com as contas, funcionários, etc. Fogaça e Badauí, então, representam duas bandas de grande prestígio — em vertentes paralelas, mas optam por não seguir carreira apenas nos palcos, por gosto.

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Chuck Hipolitho também poderia integrar a lista. Sua banda, Vespas Mandarinas, onde toca guitarra e também vocaliza algumas canções, alcançou as rádios depois de seu disco de estreia, o Animal Nacional (2013), ser indicado ao Grammy Latino. Entretanto, Chuck não largou mão de trabalhar praticamente todos os dias em seu estúdio de gravação, o Costella.

SAIBA QUAL O SEU PAPEL E COMO COLABORAR COM A MÚSICA

É importante ressaltar que os entrevistados acima são apenas a ponta do iceberg. De acordo com a profecia de Mozine, fica claro que existem muitos outros exemplos. Há grandes músicos conhecidos que se ocupam como vendedores de loja, professores de música e até mesmo de escolas estaduais. Até as bandas que foram citadas acima possuem outros integrantes que lidam com o mesmo tipo de vida: palcos e trampo. Trampo e palcos.

Comprar e compartilhar desde EP’s, CD’s, zines, videoclipes, merchs, colaborar com campanhas de vaquinha coletiva, ir aos shows (mesmo que nas cidades um pouco distantes da sua) é sim, por mais que pouca gente queira assumir, uma real necessidade. Isso fortalece no sentido literal da palavra as turnês, e disseminam a cultura que é taxada de underground, mas é mainstream no comportamento de vida de muita gente.

A cultura resiste porque é compartilhada (em blogs independentes como este, por exemplo), mas precisa de mais apoio. Caso contrário, os patrões podem continuar atrasando as suas bandas preferidas.

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Sobre o autor:

Vinícius Franco é jornalista, produtor e músico do Biblioteca da Memória.
Siga no Instagram: @francamentevini
Siga no Twitter: @francamentevini

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