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Nenê Altro, das ruínas ao melhor tempo de sua vida

Blog | 21/10/2014

Nenê Altro, das ruínas ao melhor tempo de sua vida - 1

Nenê Altro, pseudônimo de Fabio Luiz Altro, nascido em São Paulo, em 13 de Setembro de 1972. Músico e escritor, pai de Yara Altro e Juliana Altro, tem três livros lançados: Os Funerais do Coelho Branco (2005), O Diabo Sempre Vem Pra Mais Um Drink (2011) e Clandestino (2013), sendo os dois primeiros de poesia marginal e o mais recente seu primeiro mini-romance em formato pocket book. Carrega na bagagem mais de duzentas composições gravadas e lançadas desde os anos 90, sendo a maioria delas de sua banda mais popular, Dance of Days, com a qual está lançando quatro EPs novos, cada um com quatro músicas, que ao final formarão o DÉCIMO PRIMEIRO álbum da banda, no início de 2015. Confira nossa entrevista com este excêntrico personagem da cena punk paulistana:

Nenê, o Dance of Days tem feito shows no país inteiro. Como uma banda nascido na nata do underground conseguiu tanto reconhecimento Brasil afora?

- Acredito que se deve a nosso trabalho ser honesto e verdadeiro. Ao longo desses 17 anos de estrada fazemos o que fazemos por amor, por paixão. Eu escrevo o que realmente sinto e vivo, mesmo que por vezes falando em forma de contos ou situações hipotéticas. Então penso que as pessoas que se identificam realmente sentem uma ligação muito profunda com a banda, e isso não passa ao longo dos anos. E como tocamos muito e pra cada vez mais gente e novas gerações o número de pessoas que se identificam conosco só aumenta.

Quando você começa escrever algo, você já sabe se será música ou poesia?

- Não, a coisa flui e eu deixo sair como tem que sair. Às vezes escrevo por horas e acabo não usando pra nada, só pra relaxar mesmo. Às vezes publico poesias, me arrependo e apago. Mas às vezes tudo isso fica em forma de música, de poemas ou livros.

Como está o processo de reconstrução da sua casa, a famosa Casa Moxei, que foi incendiada?

Já acabou faz um tempo. Tivemos bastante ajuda dos amigos e isso foi fundamental. Mas perdi muita coisa de meus arquivos pessoais. Tivemos que recomeçar do zero. Mas trabalhamos e vencemos.

Você já passou por maus bocados, cara. Todos sabem disso. Consegue se lembrar de detalhes da rotina de viver em meio às ruínas?

Passei por uma fase terrível em minha vida em que só me prejudiquei e só atraí gente ruim pra perto de mim. Mas levantei a cabeça, lutei e saí de tudo isso. Passou, é passado.

Boa, cara. Hoje você esta recuperado. A que se deu essa vitória?

Eu sempre quis sair daquilo. Sempre que caía em consciência tentava me afastar e fugir, mas era difícil, pois além de ter entrado nisso por conta de uma depressão profunda diagnosticada, e por consequência ter adotado esse estilo de vida buscando o suicídio (vivia me prejudicando e arrumando brigas), eu estava “cercado de gente errada que não me deixava seguir em frente” (como disse na música Estorvo). E 90% dos meus amigos de fora daquele mundo haviam desistido de tentar me ajudar.

Bom... Como está a programação para os lançamentos? (Próximo EP do DOD, Seek Terror, livros, etc).

O próximo EP do Dance of Days sai no primeiro semestre do ano que vem. Acabamos de lançar O Melhor Tempo De Sua Vida e queremos fazer uma tour longa e bem dedicada. Tem também o aniversário do A Valsa de Águas Vivas, que foi um disco hiper importante na história da banda e queremos celebrar da maneira que merece. O Seek Terror fez sua primeira turnê agora em Setembro, queremos agora gravar um novo EP com essa formação e fazer outra tour, desta vez atingindo outros estados. E um novo livro apenas quando conseguir me mudar, pois aqui é muito barulhento e não consigo me concentrar hahaha.

Você está vivendo o melhor tempo de sua vida?

Sim! Finalmente descobri o que é o amor e como é maravilhosa a sensação de viver sem estar sempre buscando algo, pois encontrei tudo o que procurava. Também sofri muito entre 2004 e 2010 e sobreviver a tudo aquilo me fez enxergar a vida de outra maneira, crescer, ter sede de aproveitar o tempo que me resta aqui da melhor maneira possível. Estou muito feliz, cheio de planos, de vontades e em paz. Como não seria o melhor tempo de minha vida?

Eleições estão aí, já que você é antenado em político, pergunto logo: Aécio ou Dilma? Por que?

Eu, por mais que tenha conflitado meus princípios algumas vezes nas últimas semanas, não voto. Não consigo. Ainda não acredito em democracia representativa e acho que vou morrer não acreditando. Mas sou antifascista, socialista anarquista de alma (apesar de individualista), e sempre vou apoiar qualquer resistência às forças retrógradas e conservadoras que tentam esmagar o país. O Aécio nesse momento representa tudo isso, tudo de ruim que já assolou esse país, o favorecimento das elites e dos pequenos grupos de “espertos” que mandam e desmandam no governo, na mídia e enriquecem suas posses, propriedades e latifúndios. Eu não sou Dilma, pois não concordo com muita coisa do PT, historicamente falando, principalmente após a expulsão da Convergência Socialista em 1992. Mas é óbvio que nesse momento sou mais anti-Aécio do que qualquer outra coisa.

Sempre ouvi suas maiores influências da gringa. Há alguma banda BR que goste de ouvir atualmente?

Já ouvi muito punk nacional, acho que cresci com essa escola e sempre vou ter de referência. Mas gosto muito de Legião Urbana e Engenheiros do Hawaii. Gosto de bandas que cantem com o coração, que falem bem das coisas, que saibam passar boas mensagens. Deixei de gostar de muitas bandas que idolatrava nos anos 80 por conhecer as pessoas que tocam nelas e ver uma leva de gente que não condiz com o que canta ou com posturas conservadoras, homofóbicas e nacionalistas. Tô fora disso, quero só coisa boa.

Força sempre!

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Sobre o autor:

Vinícius Franco é jornalista, produtor e músico do Biblioteca da Memória.
Siga no Instagram: @francamentevini
Siga no Twitter: @francamentevini

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