No Dia da Consciência Negra, trocamos uma ideia com Kamau | Francamente

No Dia da Consciência Negra, trocamos uma ideia com Kamau

Blog | 20/11/2014

“Consciência é prática diária. O feriado é pra lembrar aos outros. Zumbi vive em cada um que luta”

No Dia da Consciência Negra, trocamos uma ideia com Kamau - 2

Hoje é um dia importante, que exige de uma série de reflexões à uma compreensão de lutas travadas no passado, que prevalecem no presente, e que depende de todos para se dizimar no futuro.

20 de novembro, dia da Consciência Negra, e a entrevista de hoje é com um cara de muito respeito dentro da cena do hip hop nacional. Marcus Vinícius, mais conhecido como Kamau, é um rapper, compositor, beatmaker e skatista de São Paulo, considerado por muitos uma autêntica referência.

“Porquê cê num rima?”, perguntou o DJ KL Jay (Racionais MC’s) ao menino, que levou o conselho a sério, e hoje possui uma história de respeito com seu primeiro grupo de rap, o Consequência, onde lançou o EP Prólogo (2002); três trabalhos solos, sendo o Sinopse (2005), Non Ducor Duco (2008), e por último o "…ENTRE…" (2012) — disco que eu tenho autografado. Sem contar a brilhante parceria com Rashid no EP "Seis Sons", e uma infinidade participações especiais.

Em 2008, saiu ganhador do prêmio Hutúz de melhor música do ano com “Poesia de Concreto”. Kamau também coleciona duas indicações ao VMB; indicações de melhor disco de rap do ano; parcerias incríveis ao lado de nomes como Emicida, Rincón Sapiência, Pregador Luo, Projota, Slim Rimografia, Rael e muito (sério, muito) mais. Agora que você já sabe de quem se trata o entrevistado, "entre" e confere a ideia que trocamos abaixo.

E essas fotos que cê anda postando aí nos estúdios… O que vem por aí?

Vem música… Se eu parar de fazê-la é como se eu estivesse desempregado. Mas não posso dar nomes e datas.

Neste dia 20 é o dia da consciência negra. Assim de primeira, o que te vem à mente quando pensa na causa desta data?

O marco de uma luta que não acabou. Consciência é prática diária. O feriado é pra lembrar aos outros. Zumbi vive em cada um que luta.

Boa. E a parceria com o Rashid no EP “Seis Sons”, lhe rendeu que tipo de experiências? Em outras palavras, o professor também aprendeu algo com o aluno?

Eu aprendo com tudo e todos ao meu redor. Com o Rashid em específico eu pude trocar experiências antes, durante e depois do processo desse EP. Quem “chega depois” vem com a mente limpa e percebe coisas que às vezes não percebemos estando envolvidos. E é sempre bom ouvir relatos dessas novas visões. Agradeço quem veio antes e quem chegou depois. E seguimos todos nessa caminhada até onde pudermos.

Por curiosidade, a quem é dedicada “Vida”, faixa 7 do álbum “Non Ducor Duco”? Aquele som mexe muito comigo...

A primeira parte é sobre um amigo que perdi. A segunda sobre um primo de primeiro grau. A terceira sobre o filho que ainda não tenho. A vida de idas e vindas. Celebremo-la!

Cara, você se lembra do momento em que parou e pensou “vou ser mc”? Ou a ‘decisão’ foi tomando forma aos poucos?

Não lembro do dia. Mas lembro do momento. Essa é a primeira “voz” que aparece no Non Ducor Duco. Na “versão original” ela me foi dita por KL Jay um dia voltando de carro pra casa de alguma festa em que ele tocava.

Você anda meio afastado dos rolês de skate...

Por tempo, disposição, (não) ter com quem andar. Meus amigos do skate tem suas correrias e eu tenho as minhas. Mas mantemos sempre o contato. Se eu trabalhei na madrugada num dia, não tem como acompanhá-los na manhã do próximo. Mas é mais por tempo mesmo.

Alguns programas de TV andam contando com a presença de rappers; vários (excelentes) blogs disseminam as novidades do hip-hop; MC’s com agendas disputadas. Com a exceção das rádios, concorda que o rap conquistou um espaço — do qual era quase impossível imaginar, de algum tempo para cá?

A conquista desse espaço é notória. Devemos agradecer aos que trabalham por ela e nos fortalecer pra que não percamos o espaço e que mudemos pra melhor o espaço que já tínhamos. Mas não sei se consigo determinar uma causa exata.

Você tem muita coisa escrita e não lançada?

Ultimamente tenho tido algumas inspirações que acabam não se encaixando em algo que quero lançar. E vou lapidando algumas que aparecem merecendo atenção. Então tenho algumas dessas no momento.

Dentre as influências, quais estão na sua playlist ultimamente? E existe alguma que não está ligada diretamente ao hip hop?

Tô voltando a fazer beats então tenho escutado muita coisa pra samplear. Mas sempre tem algo assim na playlist. Compro vinil toda semana e esses fazem parte da trilha por um tempo. Talvez possa citar o Drum Ode do Dave Liebman que comprei recentemente e o “Adam’s Apple” do Wayne Shorter que ganhei de presente de uma amiga.

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Sobre o autor:

Vinícius Franco é jornalista, produtor e músico do Biblioteca da Memória.
Siga no Instagram: @francamentevini
Siga no Twitter: @francamentevini

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