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Novas do Tame Impala soam como doses homeopáticas para o respiro do Indie

Blog | 7 | 1 | 27/02/2020

Um dos álbuns mais aguardados de 2020 enfim foi lançado no último dia 14 de fevereiro. Trata-se de The Slow Rush, o quarto da carreira dos australianos do Tame Impala, liderado por Kevin Parker.

O disco era, digamos, muito aguardado pelos fãs, que já se sentiam órfãos sem novos lançamentos desde 2015, quando Currents arrebatou todas as camadas do indie em proporções globais.

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Podemos dizer que a obra é ~básica, seguindo uma receita conhecida e bem sucedida entre os expoentes do gênero: 12 faixas, quase uma hora de duração, nenhuma participação especial e um hype gigantesco em torno do lançamento, que era aguardado desde a aparição dos primeiros singles, Borderline, It Might Be Time e Posthumous Forgiveness, que dariam o tom do que estaria por vir.

Aberto com a viajandona One More Year e fechado com a minimalista One More Hour, The Slow Rush contém uma uma experiência transcendental em seu corpo. Instant Destiny deixa claro que o álbum é mais que simplesmente ouvir, tem que sentir.

Emoções sombrias são retratadas em Borderline, que apesar de nomear síndrome que caracteriza comportamentos e relacionamentos instáveis, representa apenas uma série de questionamentos à margem da sobriedade (nas beiradas).

Posthumous Forgivennes, ao longo de seus seis minutos, é sonoramente a fusão de duas canções em uma. E esta característica se repete ao longo das 12 tracks - 6 delas contém mais de 5 minutos.

O último terço do álbum começa com Is It True, balada que traz certa empolgação pelo ritmo um pouco mais acelerado, capaz de fazer qualquer esqueleto chacoalhar. Seguida pelo hit It Might Be Time e pela pop e excêntrica Glimmer, que soa como um devaneio desprendido do restante do disco, e que também precede a última e maior canção do trabalho: One More Hour, que sintetiza toda a ideia apresentada até aqui ao longo de seus sete minutos de duração.

No final das contas, o que o Tame Impala nos apresenta é uma obra dançante, romântica, auto reflexiva e claro, psicodélica. Poderia ser um pouco mais concisa? Talvez. Mas talvez Parker e sua turma não quisessem subtrair nenhuma ideia depois de meia década em silêncio. Faz sentido.

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Toda atenção é válida para Breathe Deeper, que repete ao longo dos seus versos: “acredite em mim, eu posso”. Sagra-se, para mim, como a canção mais linda do trabalho em termos de letra, ritmo e melodia. “Se você precisar de alguém para lhe dizer que você é especial, eu posso”.

Com batucadas latinas de background, Tomorrow’s Dust é um banho de autorreflexão muito bem arquitetadas por Parker em tempos de pós-verdade: “não adianta voar para a lua se eles não acreditarem”. É uma das mais gostosinhas do álbum, diga-se.

Mas nem tudo são rosas no pomar alucinógeno de The Slow Rush. É a partir da sétima faixa On Track que o álbum começa a ficar, digamos, repetitivo. Soa claramente como uma tentativa de respiro e cadência para quem ouve, mas pelo menos no meu caso, não funciona.

Infelizmente é necessário apontar que The Slow Rush veio um pouco mais previsível do que imaginava. Isso porque em março passado, a banda lançou um single solto, Patience, que trazia uma sonoridade lúdica e oitentista, que causava certa estranheza ao passo que era super bem recebida para matar a saudade de material novo. Mas no final das contas, Patience acabou descartada do projeto. 

Ouça The Slow Rush:

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Sobre o autor:

Vinícius Franco é jornalista, produtor e músico do Biblioteca da Memória
Siga no Twitter: @francamentevini
Siga no Instagram: @francamentevini

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Adriano Mateus dos Santos
Adriano Mateus dos SantosComo não amar Tame impala? <3
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