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O Muse está preocupado com os rumos da tecnologia

Blog | 1 | 14/11/2018

Em 2015, quando uma série de discussões acaloravam o cenário político mundial sobre ataques aéreos protagonizados por Drones, (quase) ninguém abordou o perigo representado por essa tecnologia de forma literal e artística. Quase. Isso porque uma banda da pequena cidade de Teignmouth, no Reino Unido, chamada Muse, lançou seu sétimo e premiado álbum de estúdio, o Drones.

À época, a banda assumiu uma postura crítica às guerras modernas, muito nítida nas letras e videoclipes daquele disco, como o de Psycho.

Três anos depois, Simulation Theory poderia ser considerada uma espécie de continuação de seu predecessor, se não fosse uma obra muito mais sensível do que política.

O álbum começa com Algorithm e termina com The Void, praticamente isoladas em abordar de forma clara as referências tecnológicas presentes de forma intensa na capa do disco. 

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Referências, aliás, bem visíveis no clipe de Thought Contagion, inspirado na estética oitentista de Thriller, de Michael Jackson; Ghostbusters; Edward Scissorhands; Back to The Future, e mais.

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Simulation Theory poderia ser resumida como uma discussão de percepção de realidade, mas não sem ignorar conflitos internos que Matt Bellamy traz para as letras.

Uma das reflexões mais carregadas está em Dig Down (que lembra muito Madness), uma aclamação por paz interior que grita: "cave mais fundo e encontre a sua fé".

"Preciso de algo humano, estou procurando por algo real"; "o sol está morrendo" e "lute pela sua vida" são versos soltos que aparecem em Something Human, Blockades e (novamente) em The Void, endossando o que há de melhor no oitavo disco do Muse: preocupação com a era da humanidade que atravessamos, exatamente aqui e agora. Essas também são faixas que mais chamam a atenção pelas letras, somada à (também já citada) Dig Down.

Já para os apreciadores das já consideradas fabulosas melodias da banda, que muito contam com a participação da cozinha formada por Christopher Wolstenholme (baixo) e Dominic Howard (bateria), Simulation Theory é um prato cheio, principalmente porque Pressure, Propaganda e Break it to Me, faixas estrategicamente inseridas em sequência, dão o clímax que todo início de álbum deve ter. Em contrapartida, Get Up and Fight destoa do resto de todo o trabalho, com uma intro pop mal pensada, que lembra a desastrosa Crusing California (do The Offspring) - é o equívoco do disco e poderia facilmente ser descartada.

No entanto, se o conjunto da obra soa excelente na versão de estúdio, as tracks ao vivo, presentes na versão Super Deluxe (disponibilizada em todas as plataformas de streaming), são super bem-vindas. 

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Sobre o autor:

Vinícius Franco é jornalista, produtor e músico do Biblioteca da Memória.
Siga no Twitter: @francamentevini
Siga no Instagram: @francamentevini

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