Um mergulho em "Sobre Crianças, Quadris, Pesadelos e Lições de Casa", de Emicida | Francamente

Um mergulho em "Sobre Crianças, Quadris, Pesadelos e Lições de Casa", de Emicida

Blog | 1 | 31/08/2015

Foi necessário esperar um certo tempo para refletir e só então falar sobre o novo disco do Emicida. Sobre Crianças, Quadris, Pesadelos e Lições de Casa é um trabalho que reflete perfeitamente os tempos que vivemos. É incrível: em tese, o que acontece no país é ali exposto por diversos ângulos, sociais e culturais (especialmente ao final de 8). 

Com o trabalho, também foi possível conceber uma visão sobre a África e suas realidades ocultas pelo preconceito ocidental. O continente recebeu um olhar sublime do garoto que recentemente completou 30 primaveras. Leandro evidentemente passou a levar a sério a cultura de seu povo ancestral (que “não é um país”) nas letras. Mufete, Amoras, Sodade, Madagascar e Boa Esperança são dignos exemplos de que a África se enraizou em suas composições, e dificilmente deixará de se expressar por ele em seus próximos trabalhos.

Então toma

Boa Esperança, aliás, é a maior e mais dolorosa paulada que o rap rendeu nos últimos tempos. Tem muita gente chiando com as verdades retratadas em seu videoclipe, tanto quanto a mensagem passada por Trabalhadores do Brasil.

E ainda, embora notemos uma clara evolução, Emicida se revela um peculiar músico que atende a demanda dos clássicos (e chatos) fãs que reclamam sob o velho argumento de que o artista “não é o mesmo de antes”. Ele é. Lembrei de Emicídio (do disco que leva o mesmo nome) quando ouvi Edi Rock sampleado em 8. Ao som (e que som) de berimbau, Casa se assemelha a Gueto, do disco anterior. E por aí vai.

É preciso comentar sobre as vívidas e excepcionais vozes emprestadas ao disco, de Dona Jacira, Caetano Veloso e Vanessa da Mata? Acho que não.

Em uma breve análise da linha do tempo de sua carreira, não se nota uma gritante mudança em seu propósito. Desde Pra Quem Já Mordeu um Cachorro por Comida, Até Que Eu Cheguei Longe até aqui, Emicida continua sendo Emicida.

Por fim, é necessário se render ao fato de que a mensagem trazida no disco é densa para caber em um simples artigo. No ato de esmiuçar cada verso, descobre-se uma veracidade sob a visão de alguém que pisou em terras conterrâneas com o objetivo de nos mostrar uma dose do que viveu e sentiu. A cada play, vale a minha e a sua atenção.

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Sobre o autor:

Vinícius Franco é jornalista, produtor e músico do Biblioteca da Memória.
Siga no Instagram: @francamentevini
Siga no Twitter: @francamentevini

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